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Como manter a rotina de crianças com autismo durante a quarentena

Estima-se que existam dois milhões de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil, visto que há escassez de dados epidemiológicos. Muitas dessas pessoas, geralmente crianças que mantêm uma rotina diária, tiveram suas rotinas bruscamente paralisadas diante da pandemia e de decretos que instauraram o isolamento social no País. Essa sensação de quebra e a falta de uma previsibilidade com a situação atual podem deixá-los confusos, gerando desconfortos e crises em casa.

Pessoas que convivem no espectro autista têm diversas características distintas e encaram as situações cotidianas de formas diferentes. Mas todas elas se relacionam em alguns pontos específicos, como as dificuldades de comunicação e de estabelecer um relacionamento social, bem como os movimentos repetitivos conhecidos como estereotipias. Daí vem a necessidade de implementar uma rotina com terapias e outros estímulos comunicacionais que proporcionem uma adaptação ao autista.

Em momentos de quarentena onde diversos estabelecimentos, como escolas e parques, estão fechados, a rotina de crianças no espectro pode ficar bagunçada rapidamente. Dentro do espectro, as crianças gostam muito das previsibilidades e, sem rotina, isso pode desencadear em crises e ansiedades. Como não sabemos quanto tempo iremos ficar em isolamento, isso pode trazer consequências devido a perda de estimulações com profissionais que trabalham com elas.

No momento atual, é necessário estabelecer um forte vínculo entre família e criança para não acontecerem regressões em seu desenvolvimento ou a perda de algumas habilidades adquiridas nas terapias presenciais. Mas as incertezas sobre que atividades fazer com a criança em casa podem somar-se às obrigações do home office, trabalho em casa aderido por diversas empresas nesse período de isolamento social.

Primeiramente, não há necessidade de se culpar por não estar dando conta de tudo. A empatia é o ponto de partida para reorganizar a vida em quarentena e se adaptar a realidade de cada família. Por mais que não exista a mesma rotina de antes, é necessário ter uma rotina mínima com a criança. Não precisa ser algo fixo, mas sim uma rotina na qual a criança entenda o que está vivendo e o que está fazendo. Além disso, também é importante que a criança com TEA tenha seu momento sozinha.

Logo depois, é necessário explicar a situação atual do mundo para a criança. Com a possibilidade de surgirem questionamentos sobre a escola ou a terapia, a explicação deve se adaptar a linguagem e a faixa etária individual de cada uma. Crianças maiores podem assistir ao jornal e entender o isolamento, mas é importante sempre ser franco sobre a situação. Daí a importância de trazer um ambiente mais tranquilo o possível para o autista. Evitar luzes acesas ou músicas altas trazem uma estrutura que possibilita que a criança se tranquilize e realize possíveis atividades que consolidam uma rotina em casa.

Resta identificar o que a criança tem interesse em fazer. Partindo deste filtro, as atividades em casa podem ser feitas pelos pais ou responsáveis. Brincadeiras sensoriais que envolvem tato, audição, fala e visão são alternativas simples que unem os estímulos tão necessários para o desenvolvimento saudável da criança. Tintas, água, papel, brinquedos e até mesmo cosquinhas são alternativas nesse período de suspensão de terapias presenciais, pois são pré atividades necessárias para movimentos mais complexos.

Para diminuir o cansaço entre os pais e responsáveis, trocar momentos de atividades e dividir tarefas entre os adultos da casa também ajudam na construção de uma rotina.